Anjos e Demônios: muitos pontos ficaram de fora do longa incluindo o argumento principal do best seller

17 05 2009

Anjos e Demônios é um livro sensacional. É rico de detalhes sobre história e obras de arte. Dan Brown te leva a dois extremos no decorrer da trama com as aventuras do simbologista Robert Langdon.

Langdon tenta evitar que a cidade do Vaticano seja literalmente explodida. Uma partícula altamente explosiva da chamada “anti-matéria” ou “partícula de Deus”, algo que poderia ajudar na explicação do surgimento do big-bang, foi roubada por um membro de uma sociedade secreta, a Sociedade dos Illuminati (os esclarecios), cientistas que foram perseguidos ao longo da história pela igreja católica pelos seus atos “pagãos”: a busca da razão através da ciência.

A trama ocorre no período do conclave. Momento em que, após a morte do papa, vários cardeais se reúnem no Vaticano e se trancam na Basílica de San Pietro (São Pedro) até que elejam um novo Papa. Porém os quatro preferiti, cardeais que seriam os possíveis sucessores, foram seqüestrados e há a ameaça de serem mortos em praça pública. Nesse período todas as redes de televisão do mundo voltam seu olhos para o Vaticano à espera da “fumaça branca” que indica que a escolha papal foi realizada. Toda a trama leva ao leitor uma visão catastrófica de uma guerra silenciosa.

Diante de um cenário com visões apocalípticas o simbologista Robert Langdon tenta correr contra o tempo atrás de todas as pistas, fatos históricos, símbolos antigos e secretos,  monumentos e obras de arte para impedir a morte dos cardeais e a destruição do Vaticano pela anti-matéria.

O eixo principal do livro é o duelo entre a razão científica e a fé religiosa. Em vários momentos os personagens questionam a fé e a ciência. Seus argumentos, sempre plausíveis, convincentes e persuasivos, mexem com a mente do leitor. Você acredita em Deus? Acredita na existência de todas as coisas por intervenção divina? Ou a ciência tem a explicação de tudo? É ela que cura os doentes? Que faz transplantes ou que cria novos seres? Esse é o principal ponto do livro que torna o drama tão cativante.

O filme homônimo lançado dia 15, nos cinemas, deixou de fora fatos e personagens que tornam a trama mais interessante.

O CERN, centro de pesquisas localizado na Suíça, assim como o LHC (Large Hadrons Colisor), a maior máquina do mundo, com cerca de 8,6 km de diâmentro, capaz de acelerar prótons e gerar anti-matéria foram citadas superficialmente no filme. Personagens como Maxmilian Kohler, um personagem muito interessante que até chegou a ser um dos suspeitos, não apareceu no longa. :-(

O início da história foi alterada, aparentemente para não se parecer com o início da O Código da Vinci que também inicia com o assassinato de um homem por uma pessoa misteriosa.

Pode-se dizer que o “filme” Anjos e Demônios apenas conta a história. É uma narrativa que conta como se sucederam os fatos e que, diferente do livro, não aprofunda a história dos Illuminati, não enaltece os magníficos discursos “fé versus razão” nem nos faz vivenciar a tensão de perigo eminente. Tudo parece muito fácil.

A trilha sonora é muito boa para criar momentos de tensão, porém algumas vezes é utilizada em momentos desnecessários. Outro fato que eu gostaria de ressaltar: Nos cinemas Anjos e Demônios, de acordo com a ordem cronológica acontece depois de O Código da Vince, decisão equivocada na minha opinião.

Em suma, o filme pareceu muito superficial em relação ao filme. É lógico que há uma diferença grande entre um livro e um filme, porém, a escência da história não foi mantida na adaptação para o cinema.








Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.